100 Anos Definindo o Tom
O
que antes era considerado um subproduto sem valor, hoje em dia tinge
pedras, concreto e edifícios no mundo todo. Há 100 anos, a planta de
LAUX em Krefeld-Uerdingen produz pigmentos de óxido de ferro, um
processo único no mundo todo. Uma história sobre química, economia
circular e uma rede de produção altamente interconectada, que produz
pigmentos de classe mundial a partir de resíduos de ferro, experiência e
trabalho em equipe.
Durante
nossa visita, o gerente da planta, Holger Friedrich, tomou café em uma
xícara com a tabela periódica dos elementos químicos. Um pequeno detalhe
que conta muito. Afinal, quando o gerente das instalações de redução
fala sobre o processo LAUX, nada soa como rotina. “É quase como
alquimia”, conta ele. O ferro sólido é processado mecanicamente, os
fluidos fluem, os gases são produzidos, e o calor é liberado. As
substâncias mudam de forma e uma massa escura e lamacenta se transforma-
em pigmentos brilhantes em vermelho, preto ou amarelo. “Essa
diversidade de processos, especialmente a combinação de produtos
químicos orgânicos e inorgânicos, é rara hoje em dia, sobretudo em uma
única operação”, explica ele.
Essa é uma característica especial
do processo LAUX: química orgânica e inorgânica interagem diretamente.
Em uma reação comum, o ferro metálico produz um óxido de ferro, acoplado
à implementação de uma matéria-prima orgânica.
O fato de a
empresa se chamar “Instalação de redução” ainda assim tem motivos
históricos. “Na verdade, produzimos pigmentos de óxido de ferro, então o
ferro oxida”, explica Friedrich. “O nome vem da redução simultânea do
nitrobenzol em anilina com essa oxidação.” A princípio, o pigmento não
era o foco. Quando o processo foi desenvolvido no início do século XX, a
anilina, que era necessária para produzir corantes sintéticos, era o
material valioso. O óxido de ferro se acumulava como um lodo que, por
muito tempo, não se sabia o que fazer com ele. O químico Julius Laux
reconheceu o potencial desse subproduto em meados da década de 1920,
estabelecendo a base para a produção de óxido de ferro industrial.
Instalação de redução: onde o ferro se transforma em tinta
A
matéria-prima mais importante para as instalações de redução vem de um
setor que, inicialmente, não tinha muito a ver com tintas: a indústria
automotiva. São usadas limalhas de ferro e cortes metálicos produzidos
durante a usinagem de peças fundidas. “Portanto, já começamos a usar a
economia circular quando o termo ainda não era oficial”, disse Christian
Schütte, que trabalha na planta há mais de três décadas e é responsável
pela compra de matérias-primas. “A sustentabilidade sempre foi parte
integrante do processo.”
Contudo, os resíduos não todos iguais:
“A qualidade do ferro que recebemos influencia claramente a qualidade da
tinta”, diz o especialista. Assim, em um enorme armazém, as variedades
com diferentes tamanhos de grãos e qualidades são misturadas para
produzir uma matéria-prima o mais ideal possível. Em seguida, o material
é processado mecanicamente em moinhos de galgas, classificado e
preparado para o processo. Nas instalações de redução, a reação em si
ocorre, então, de forma quase totalmente automática. Por ser exotérmica,
libera grandes quantidades de calor. Essa energia é usada de forma
consistente para gerar vapor e água quente para o próprio processo, mas
também para outras plantas na unidade de produção. “De certa forma,
somos a caldeira da IPG”, diz Schütte.
Da substância líquida ao pigmento sólido
Por
fim, o óxido de ferro deixa as instalações de redução como uma pasta
tratada e sem anilina, de consistência espessa e completamente livere de
ingredientes prejudiciais. Através de pontes tubulares, ele segue para a
próxima planta: Pastas e clínqueres. “Temos o produto em sua forma”,
diz o gerente da planta, Bartholomäus Luczak. “Nós transformamos a massa
lamacenta em um material sólido.”
“Pastas
e clínqueres” é a maior planta no Chempark em termos de área, com seis
grandes edifícios principais, cinco salas de controle e uma extensa rede
de tubulação ramificada em uma área de cerca de cinco hectares. Aqui, a
pasta é submetida a um processo de remoção de resíduos ferrosos,
espessamento, lavagem e, em seguida, secagem. Depois, o caminho restante
determina a cor: os pigmentos pretos ou amarelos surgem diretamente do
processo. Para obter os pigmentos vermelhos, a pasta preta é então
calcinada – ou seja, passa por um tratamento térmico.
Para isso,
são utilizados os fornos rotativos gigantes, localizados em uma
estrutura separada, onde as temperaturas são de até 900 graus Celsius.
Regina Müller, chefe adjunta de turno, faz uma ronda de inspeção no
momento. Não é apenas a dimensão, mas toda a atmosfera é impressionante:
ao longo dos anos, os enormes fornos, tubulações e equipamentos
adotaram a cor vermelha do pigmento calcinado aqui. “Normalmente, é
muito mais quente aqui”, explica ela. “Nossos fornos estão em
manutenção.”
Ela não está limpa, mas é colorida
Geralmente,
a manutenção é um tópico importante para a equipe de Uerdinger. O
pigmento tem uma forte ação abrasiva – os transportadores helicoidais,
as tubulações e os conjuntos de máquinas estão sujeitos a grandes cargas
durante a operação contínua. Por isso, os equipamentos devem ser
inspecionados, submetidos à manutenção e reparados regularmente. “Apesar
da automação, passamos muito tempo nas instalações, reconfigurando
linhas e, às vezes, fazendo intervenções manuais”, conta Müller. “É isso
que me atrai.”
Nem é
preciso dizer que os pigmentos fazem mais do que apenas dar cor ao
pavilhão e ao ambiente. Os traje des trabalho têm traços visíveis do
produto no final do turno. “Nossa planta não é limpa”, diz Müller, “mas é
colorida”.
Um todo poderoso – há 100 anos
Depois
da parada em “Pastas e clínqueres”, o caminho do pigmento ainda não
está completo. “Nós o passamos para os colegas da moagem”, explica
Müller. Aqui, o pigmento passa por um processo de refinamento –é
misturado e, dependendo da respectiva aplicação posterior, finamente
moído ou compactado como em um formato de fornecimento com baixo teor de
poeira, de acordo com a forma e finalidade de uso que o cliente dará a
ele depois.
A cadeia de
produção estreita é uma dos motivos pelos quais o processo continua a
ser bem-sucedido mesmo depois de 100 anos, e é usado apenas aqui no
mundo todo. “Muitas etapas do processo, longos percursos e grandes
tonelagens. Os fluxos de material devem ser coordenados e os prazos
respeitados – 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em uma única planta,
isso seria difícil de ser demonstrado”, declara Luczak. Para Friedrich, a
colaboração estreita e baseada em parceria é fundamental: “Qualquer que
seja a planta, nós dizemos: fazemos óxido de ferro juntos. Não dá para
copiar esse espírito de equipe, juntamente com 100 anos de experiência.”
Tradição com Futuro
100
ANOS DE EXPERIÊNCIA: É com isso que a unidade de negócios IPG quer
explorar novos potenciais de mercado. Entrevista com Michael Ertl, Chefe
da BU IPG.
Sr.
Ertl, há 100 anos, a LANXESS vem fabricando pigmentos de óxido de ferro
em Krefeld-Uerdingen de acordo com o processo LAUX. Por que isso é tão
bem-sucedido?
O inventor do processo, Julius Laux, fez uma
pergunta surpreendentemente moderna há cerca de 100 anos: e se o lixo
não fosse lixo? O ponto de partida foi a produção de anilina a partir de
nitrobenzol e sucata de ferro – um processo que gerava grandes
quantidades de óxido de ferro como subproduto. Laux percebeu que esse
óxido de ferro é particularmente colorido e puro em determinadas
condições, além de ser adequado como um pigmento de alta qualidade. Até
hoje, o processo é considerado um dos mais sustentáveis na produção de
pigmentos de óxido de ferro. A combinação do uso de um circuito de
resíduos metálicos e de etapas de processo com eficiência energética
torna o processo LAUX um fator crítico para o sucesso.
Porém, eles não fabricam pigmentos apenas na Alemanha. Qual é a importância da rede de produção global para a IPG?
Muito
grande. Temos escritórios em todos os cinco continentes. Aqui na
Europa, ainda processamos pigmentos na Espanha e na Inglaterra, e também
nos EUA, Brasil, China e Austrália. Essa diversificação geográfica é
uma vantagem central. Com isso, temos uma maior capacidade de entrega e
somos mais resilientes a conflitos comerciais, sanções, restrições de
exportação, instabilidade política ou crises regionais. Ao mesmo tempo, é
importante que a unidade de produção da Alemanha permaneça competitiva,
em especial no que diz respeito aos custos de energia, que desempenham
um papel fundamental em nossa produção com consumo intensivo de energia.
Por meio de investimentos direcionados em nossas plantas e processos,
estamos impulsionando ainda mais a otimização energética.
100 anos de tradição: onde vocês estão inovando?
Uma
ampla gama de aplicações é importante para manter nossas plantas
ocupadas. É por isso que estamos constantemente conquistando novos
mercados, mesmo além das aplicações de coloração clássicas. Um exemplo
atual é a tecnologia de baterias: além de óxidos de ferro, a produção de
baterias de fosfato de ferro-lítio também pode ser feita usndo fosfato
de ferro. Para o fosfato de ferro, após a fabricação bem-sucedida na
planta-piloto, a IPG está desenvolvendo o processo em escala industrial
para implementação como instalação de produção. Esse mercado está
crescendo em um ritmo acelerado no mundo todo e estamos conduzindo
pesquisas na área. No momento, os materiais de cátodo LFP e as baterias
correspondentes são produzidos principalmente na China. A Europa ainda
não tem capacidade suficiente, mas queremos mudar isso.
Destaques
•
Cerca de 15 milhões de toneladas de pigmentos foram produzidas pela
unidade de negócios nos últimos 100 anos, o suficiente para pintar a
área da Alemanha em preto, vermelho e amarelo cinco vezes.
• As cores básicas de vermelho, preto, amarelo, marrom e laranja criam um total de cerca de 100 cores diferentes.
• Oom o Bayferrox®, a LANXESS é uma das líderes mundiais em pigmentos de óxido de ferro.
•
No setor da construção, o Bayferrox® é sinônimo de pigmentos de óxico
de ferro, assim como Kleenex é sinônimo de lenços de papel.